terça-feira, 16 de setembro de 2008

Morada


A nossa comunidade...

Mais uma vez estão os rapazes a brincar na rua enquanto eu fico em casa (desta vez a trabalhar e não a fazer sopa!).
Fica a fotografia do sítio onde "moramos", no meio do bosque onde temos a sorte de poder contar com um tempo magnífico (freco e cheio de sol).

Para quem quis saber, na fotografia anterior o João está a empurrar um carrinho de bonecas de uma amiga japonesa, porto riquenha ou algo parecido.

Tenho uma leve sensação que vai ser muito difícil convencer o João a voltar para casa... é um sedutor e adora comunicar com as americanas! Anda feliz...

Dia 2, ainda no início


Hoje quem escreve é a Ana.

Para vos deixar uma imagem de quem presenciou o que o Vasco contou no post anterior de dentro de casa. A fotografia mostra a vista da nossa sala.

Enquanto fazia uma sopa saudável para todos assistia aos meus homens a voltar para casa...


É sem dúvida uma experiência diferente... muito boa!

U.M. - Dia 1, o resumo

Após longa caminhada para lá e para cá (entre a Universidade de Michigan, a tal 'U.M.') descobrimos um espectacular parque de diversões nas traseiras da nossa casa alugada ('short-term housing', para ser mais exacto).

Senti, talvez pela primeira vez, o que é uma comunidade, enquanto brincávamos, todos - o João-Tuga, o Ben-Nippo, a Sara-Chavez, a Veronica-Equatorial, o John-Local e muitas outras crianças (acompanhadas pelos pais ou mães durante as escorregadelas, as baloiçadas ou as trepadelas) - olhando uns pelos outros, descrevendo a letra de uma música em várias línguas, num verdadeiro 'melting-pot'. Enquanto via - com um prazer que apenas conheci enquanto Pai - o meu filho a brincar com os outros meninos, ia conhecendo a vizinhança, falava espanhol com uma mãe venezuelana e outra do Equador, ajudava a filha de um americano a descer o escorrega e estava de olho numa menina japonesa que andava no baloiço a cem à hora. Na dúvida, falava inglês!... O João também gozava de mais dois pares de olhos de vigia - os tais que já tinham lido muitas palavras em espanhol - e tudo se processava num ambiente seguro, descontraído, dotando o dia de um perfeito fim-de-tarde.

Ainda não estamos totalmente adaptados - o corpo passa o dia a discutir com o relógio local por tudo e por nada. Mas, aos poucos, lentamente, disfrutamos a paz e calma que Ann Arbor parece prometer. Veremos nos próximos dias se a promessa é para cumprir.

Beijinhos e boa noite, que os olhos já pesam!

Nighty night! Sleep tight! Sweet dreams!

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

U.M., here we are!

Aqui estamos os tres, na Universidade do Michigan (U.M. para os locais), ha' espera que a Ana obtenha o cartao de aluna temporaria.

(Como e' facil verificar, nao ha acentos nos teclados).

A minha utilizacao de computador vai ser muito diminuta, mas a Ana tera acesso 'a internet a partir de alguns minutos - com o tal cartao que esta a pedir agora).

O Dinho acordou 'as 3 da manha, todo trocado da vida, como se fossem horas de brincar; e nao lhe conseguimos tirar isso da cabeca... Como a Ana tinha de trabalhar hoje - teve uma reuniao 'at noon' - fiquei eu de vigilia, nao fosse a casa de dois andares ter escadas a mais para quem nao esta habituado a elas.

Adormeceu a caminho da U.M., no carrinho que afinal e' demasiado mau para ele dormir, e acordou uma hora depois, ensonado, e logo disse 'VRUUUMMMM'... (os carros aqui sao realmente grandes!).

Iremos dando noticias, na medida do possivel, provavelmente mais pela noite, depois de nos habituarmos ao novo fuso horario e de o Dinho conseguir compreender que as tres da manha SAO PARA DORMIR!!!!

Beijinhos a todos,

Daddy V

P.S.: como era de esperar o "bye-bye" do Joao e' um caso de sucesso de relacoes internacionais!

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Feliz(sem)cidade



Temos tempo!... Muito tempo! Desta vez temos as vinte e quatro horas do dia para viver, sem amarras, sem partidas de comboio a horas certas, sem almoços curtos entre cálculos ou memórias descritivas. Temos tempo!...

Podemos sentir de outra forma a vida, perdão..., a Vida! Podemos olhar! Podemos esperar enquanto olhamos! Podemos respirar enquanto esperamos!... E nem nos lembramos que estamos a esperar, porque estamos a ser, a viver.

Claro que no dia-a-dia também há risos, há gargalhadas até, mas não têm esta luz.

(Agosto, Praia das Maças)

domingo, 24 de agosto de 2008

Voltar à estaca-zero

Tenho estado ausente!...

Tenho estado perdido noutros pensamentos, noutros momentos, afastado da escrita e da narração.

Prometo voltar...



... por causa destas e de outras imagens, tenho de voltar.

sábado, 12 de julho de 2008

101

Lembro-me perfeitamente de estar a ouvir o 1-0-1 dos Depeche Mode, em vinil, procurando não riscar o precioso disco quando a agulha abria o paraquedas para então aterrar no trilho que rumava à primeira faixa...

Lembro-me também de tentar esboçar a harmonia de algumas músicas do álbum nas cordas da guitarra - então, sem grande sucesso, insistia mais uma e outra vez na sequência acordes, desejando ganhar de forma instantânea uma consciência e sapiência musicais.

(...)

Passaram-se alguns anos. O álbum renasceu das (minhas) cinzas e fez-se soar - lembrei-me de algumas músicas, peguei na guitarra, procurei o tom e, sem grande tormenta, toquei e cantei uma velha canção. A música, renascida, ganhou forma e, aos poucos, dia-a-dia, banalizei-a no meu reportório de fim-de-tarde.

(...)

Em segredo - e envolto numa louca e indomável sensação de bem estar, de pertença, de fortuna - cantei-te o "Somebody" - numa noite mágica que para sempre irei recordar. A canção virou poema e, ao som do piano, esqueci-me de quem lá estava, de quem nos via, de quem me ouvia, e fiquei contigo aqueles três minutos, inteiro, exclusivo. (A música eternizou-se, ainda hoje lá está!)

(...)

Passaram 101 meses... sim!, já passaram 101 meses! Corremos, parámos, falámos, dormimos e acordámos para (finalmente) nos permitirmos um beijo. E hoje podemos chamar-nos "família", completa, cheia, viva, crescente, porque há 101 meses arriscámos um beijo, e depois do beijo arriscámos conhecer-nos melhor, namorar, dividir, partilhar e casar.

Hoje, juntos, somos "alguém", porque o 'somebody' do eterno poema anunciou a mais íntima partilha da nossa vida...



(Parabéns... a Nós!)